Doce menina com ar de criança
Minha criança, futura mulher
Ao longe percebo teus encantos
E somente á distância posso contemplar
Quanto o mais longe, mais perto te sinto
A criança em meu peito em prantos está
Pois dela foi tirado seu melhor brinquedo
Seu passatempo agora tornou-se tédio
e como poderá viver assim?
Doce criança te quero só minha
Boneca de pano, em que estás pensando?
Quem poderá te entender?
Quem pode me machucar mais que você?
Apenas de pano foste feita
Mas tão perfeita te fizeram assim
Que com inexplicável delicadeza
E simples gestos só seus
Arrancou-me do peito sentimentos pra sí
Que sem hesitar entreguei-os á ti
E a doce boneca com ar de menina
Mostrou-se indiferente a qualquer carinho meu
Agora triste eu estava
Pois contente lhe entregara
O que de mim tu arrancou
A criança agora já parou de chorar
Sem sua boneca ela se acostumou
E dentro de uma caixa vazia
Onde guardo lembranças esquecidas
Jaz minha linda boneca sem vida
Minha doce menina com ar de mulher

